quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Corações Contritos

No começo tudo tinha aquele gosto de "não é verdade". Tinha um gosto, um quê de rotineiro, como se dali uma semana todos fôssemos recomeçar as aulas, o francês de terça e quinta de manhã, o aluguel pra pagar e a próxima festa da semana do bixo pra ir.

As horas de festa passaram como os anos da faculdade: rápidas demais, intensas demais e cheia de gente querida. Aproveitávamos a festa bebendo, rindo e conversando como se o amanhã fosse o de sempre e o ano de faculdade se abrisse diante de nós cheio de suas delícias e responsabilidades.

Mas, dessa vez, a última das festas unespianas terminou diferente. De repente, toda a realidade caiu sobre nossos ombros e a verdade veio como choque. Não era o último reencontro, aquilo era uma certeza absoluta; mas era o fim de uma era na vida de cada um. E com a realidade, veio o afeto: olhar o rosto de cada um ali e ver que o carinho e a amizade eram maiores do que qualquer desentendimento.

E com o afeto vieram as lágrimas. Lágrimas de saudade antecipada, lágrimas de incerteza, lágrimas de dever cumprido e lágrimas de amizades que se confirmavam agora que a distância batia na porta.

E com as lágrimas vieram as palavras sinceras. Misturadas em meia à realidade do dia já clareando, dos abraços, das lágrimas, das taças quebradas, dos vestidos sujos nas barras e dos smokings já desfeitos de sua elegância, vinham as palavras que de tão sinceras e amigas ficaram gravadas.

Iam embora de carro, cada um escutando sua música. Na minha cabeça, tocava "Hard to Say Goodbye" enquanto o carro caminhava na estrada de um dia que clareava rapidamente. Saía de Franca deixando eternizadas as boas lembranças e levando consigo todo o amor que tinha tudo para não ser, mas foi. E ainda é.

"We didn't want this to happen
But we shouldn't feel sad
We had a good life together
Just remember all the times we had
You know I'll always love you
You know I'll always care
And no matter how far I may going
In my heart you'll always be there..."

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Facetas

E ele ia do chic ao hippie de um dia pro outro. Do cult ao trash. Do católico ao laico, do catolaico ao catoespírita.
Era hora de reinventar-se, sempre era hora de reinventar-se.

O cansaço vinha, as cobranças vinham e vinha a irritação também.

Mas tudo passa.

Ele só não ia da esquerda pra direita porque nessa ele já tava bem orientado, toujours à gauche.

Graças a Deus.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Um 2012 que deve ser merecido

E 2012 chegou. Sem apocalipse (!), fica mais fácil sonhar e planejar esse ano que promete tanto. Logo menos uma etapa da minha vida vai se encerrar por definitivo e chegou a hora de finalmente fazer meus primeiros ensaios rumo à vida de "gente grande".

2012 chegou e começou do jeito que eu quis: ao lado de pessoas queridas. Naquela mesma data, 1 ano atrás, eu passava a virada no gelado inverno europeu e só então me dei conta de como era revitalizante ver os fogos na praia, receber os abraços de carinho, pular ondinhas e respirar os novos ares que 2012 trazia, cheio de promessas.

Mas pra que esse ano novo seja, de fato, novo é preciso merecê-lo. É preciso se livrar das roupas velhas e das velhas roupagens que usamos para esconder nossas fraquezas e pontos fracos. É preciso abandonar os velhos sentimentos e, de fato, reinventar-se, ser novo, pensar novo, agir novo.

E que fique registrado aqui: eu vou emagrecer, me cuidar mais, estudar mais o que eu acredito e quero pra mim. Como diz Drummond, "É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera, desde sempre".

Dizem que o primeiro dia de ano reflete como será o seu ano. Se for assim, meu 2012 será maravilhoso! Um ano de felizes mudanças a todos(as)!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Relicário

E era a hora de renovar, de tocar a vida, de se desfazer.

Ele ia deletar o orkut, apagar fotos, comunidades, tudo. Era hora de seguir em diante e deixar pra trás. Havia sido eterno enquanto durou.

Mas ele sabia o preço de se desfazer de algumas coisas. Anos atrás, em 2003, ele havia jogado fora uma das mais importantes mensagens de carinho de quem fazia ( e talvez ainda faça) seu coração bater mais forte.

Agora, analisando seu orkut, ele analisava depoimentos e corações. Mas, acima de tudo, analisava a si mesmo. E sentia. Sentia saudade, sentia pesar, sentia alegria, sentia-se querido.

Ao ler as mensagens carinhosas, ele havia percebido quantas pessoas havia tocado. Não era algo superficial, mas era uma marca indelével que ele não havia tido a noção do quão profundo havia sido. E o que mais doía era perceber que muitas dessas pessoas queridas haviam ficado pra trás.

A vida tem uma estranha dinâmica. Você faz uma faculdade, arruma um emprego, arruma alguém, paga previdência, compra uma casa, um carro, dois cachorros e um papagaio. Filhos, contas, aposentadoria e fim.

Mas ele não queria aquilo, pelo menos em partes. Ele queria manter contato com as pessoas queridas e assim poder fabricar novas e fresquinhas memórias gostosas de serem lembradas.

Ele queria reconciliação. Já havia perdido tempo demais. (Desculpa...)

As mensagens no orkut haviam sido salvas. Agora, iriam pra caixa de sapato vermelha, guardada no fundo do guarda-roupa. Haviam se tornado parte do seu Relicário.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

E ele mudou.

Passou a ser um pouco mais sabedor de si mesmo. Talvez anestesiado pelas rápidas mudanças de fim de ano, talvez não ciente das problemas que o futuro lhe reservava. Ou surpresas.

As intempestividades ainda estavam lá. Ainda tinha seus desequilíbrios, suas mancadas.

O mais importante é que havia mudado. E isso bastava.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Praia ou Campo?

O corpo dourado, o tererê, a areia a se espalhar pelos dedos do pé, o sol.

Ele gostava do cheiro de protetor solar, de acordar cedo e comer melhor, das músicas-axé que desde tempos imemoriais lhe animavam o período litorâneo de férias. O cheiro da maresia se mesclava com o cheiro de lembrança boa, de lembrança gostosa de ser lembrada.

Fossem as tatuagens de Henna, a "farofada", a família junta, o deitar na rede e pensar em amores há muito esquecidos, a brisa noturna nos passeios pela orla; fosse o apartamento do tio em Ubatuba, Marbella Flats ou até o apartamento dos amigos, não importava: tudo aquilo era imensamente caro, imensamente precioso, imensamente disfarçado de cotidiano, de banal.

Era a época de gordices gostosas, seguidas pelas eternas promessas de ano-novo-vou-emagrecer, era a época de raspadinhas, de coco gelado, de pastel, cerveja gelada, milho no pote e Jammil e Uma Noites ou, como preferiam as pessoas agora, sertanejo universitário.

Era a época de noites quentes e amores breves, jurados inesquecíveis mas que não resistiam ao recomeço das aulas e do cotidiano na cidade grande. Sim, era, de fato, uma época preciosa.

E quando lhe perguntavam "praia ou campo", ele hesitava. Mas agora ele tinha certeza: definitivamente praia!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Ser Grande

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Fernando Pessoa